quarta-feira, 11 de novembro de 2009

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Trocaram-me por um punhado de solidão. Era quinta, fria e docemente convidativa a apenas uma cama. Trocou-me sem pensar duas vezes por dois copos ou, quem sabe mais, de cerveja, cerveja que naqueles dias decia amarga e gelada demais, chegando a espumar em partículas de gelo. Eu, fiquei entregue a um sono livre de pesadelos, enquanto ele, cabelos enrolados agarrou a garota com nome de anjo pelo pescoço e encostou-a contra a parede de chapiscos, torturando as costas, torturando... Deixando marcas roucas na pele escura.
Nesses dias, eu estive empregnada de uma prenhês, certa, porém, de que ela fosse, como das outras vezes, puramente alusiva, puramente imaginativa. Medo antigo de uma maternidade cheia de entremeios de pobreza e carência. Na sexta, ele se colocou de joelhos perante a mim, mas não pôde dizer qualquer coisa sobre sua traição convidativa. Os olhos diziam, sem pesares, que deglutira com grande prazer a saliva e o gosto dela, mas que pouco se recordaria dos fatos...
Pude então de toda forma dizer que sabia, havia nada.
[16 de março de 2007]