quarta-feira, 11 de novembro de 2009

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Não havia pensado nos últimos dias sobre "o fim", mas sabia, era necessário ao meu coração de açúcar e mimo sentir-se pesado e fazer todo o drama que lhe cabe. Não chorei, não senti. Apenas fiquei com a cabeça recostada no travesseiro fofo e era capaz de meditar sobre apenas o nome, o nome, o nome. Não podia lembrar, e queria, naquele instante, de um beijo ou do som da voz. Senti um dolorido constrangimento em entender que não havia sobre o que lamentar. Era a perda. A dura e velha perda que vinha diferente agora, com os quilos a mais, as olheiras a mais. Era uma perda nova e insosa, ao revés das desilusões embotadas de mel. O simples nome martelou e martelou e juntou-se a alguns outros. Todos perdas. Embolaram-se, confundiram-se e eu quedei-me quieta no sonho longo. Na cama, além do corpo que recostava-se pesado, a ausência: Não há como perder o que não há.
[24 de agosto de 2009]