domingo, 16 de dezembro de 2012
não, não lhe dediquei balada qualquer. nem à vaidade, nem à súplica. não a ti que cantava lindamente, cada verso em sussuro. faz tanto, tanto tempo que não ofereço minhas palavras a qualquer alguém. faz tanto, tanto tempo que não cifro aqui minhas poucas e delicadas solidões, bem-querências, nostalgias e desenganos. falta a alavanca, o bater do martelo que dá forma à escrita, tanto quanto falta a coragem. tive medo de cada novo sorriso, passo dos dedos, gentileza. tive medo de todas as canções, beijos, pequenas doçuras. era felicidade demais ter lirismo atado a porta junto aos pinduricalhos ali disposto. era de uma lindeza propensa ao meu coração melindrado. fiz tudo errado do começo ao começo. tracei limites, porquês, sapiências. para ti não existiam poréns, deveras ou reminicências: era o dia, era o dia. da boca certeira apenas o que podia. do coração, algo pequeno, mas constante - dia-a-dia. e eu tão burra, tão mimada não percebi. me possas perdoar, mais um quadro desenhar, mais uma canção tecer. me encoste a mão imensa, os olhos ternos, o rosto novo. tão quieto em casa espasmo na madrugada, resfolegar na calmaria que não vem. nenhuma noite silenciosa e sem apineias foi tão tranquila. nenhuma.
sábado, 16 de junho de 2012
não. não há possibilidade. não se pode dizer feliz. não se pode dizer triste. há que se autoafirmar na casa do caralho, porque os certos - corretos mesmo, valha-me deus - são os outros. o mais velho não te quer, porque o target é diverso, inencaixável se a personalidade muito podada, mesmo assim não se acomoda ao pouco espaço. o belo não olha porque há sobras na região abdominal. o feio, ah o feio. esse você deixou passar e, só depois bem depois, descobriu o quanto era mentirosa a feiura. bem feito!
a meiguice - que, não sabia, tem - na verdade é covardia, egoísmo ou autocomiseração. mais dela assim meigamente dita, só se extraem - talvez com razão - um drama eterno e tecido por tênues acintes. os dias têm corrido, mas o sentido não veio. e o sopro da tenra felicidade do fim de semana ficou pra trás e já não tem apelo.
desistir, como sempre. sem que sobre muito mais. sem trabalho, os braços baços se deixam moles e uma fagulha apertada faz doer a nuca: "não sei onde estou, quando me perdi de mim". E sem aporte, fica frouxa e desintegrada num encorpado corpo nad esguio. sem rumo, deixa-se estar sobre a cama vazia.
a meiguice - que, não sabia, tem - na verdade é covardia, egoísmo ou autocomiseração. mais dela assim meigamente dita, só se extraem - talvez com razão - um drama eterno e tecido por tênues acintes. os dias têm corrido, mas o sentido não veio. e o sopro da tenra felicidade do fim de semana ficou pra trás e já não tem apelo.
desistir, como sempre. sem que sobre muito mais. sem trabalho, os braços baços se deixam moles e uma fagulha apertada faz doer a nuca: "não sei onde estou, quando me perdi de mim". E sem aporte, fica frouxa e desintegrada num encorpado corpo nad esguio. sem rumo, deixa-se estar sobre a cama vazia.
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