saí de sua órbita, depois de ter levado pontapés incontáveis - a cada noite que declarei o amor, que acredite eu senti -, depois de acordar sobressaltada por ter pesadelos adúlteros, depois de me sentir algo quase nada pelo desprezo em pequenas doses, depois de deixar - tola - de fazer coisas por vontade alheia e me sujeitar ao dia da semana, à hora que lhe convinha.
o planeta que se queria astro tinha atmosfera forte, atrativa e envolvente. manteve a mim, satélite inconstante, no giro incerto por tanto tempo. eu não lhe devo desculpas, me perdoe, assim como não me doou afeto. talvez, quem sabe um dia, o agradeça por endurecer meu coração jacu, por alertar-me sobre o perigo de confiar no outro, por me mostrar - enfim - que a palavra e a postura, no calor da hora e na maior parte das vezes, só se mantém quando há qualquer conveniência, quando se presta ao discurso ágil e interesseiro.
eu teria enfrentado a todos. amado seu personagem. acredite (mais uma vez) e, tenha certeza, essas não são palavras simples de se dizer.