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testamento
deixo os meus passos cor-de-rosas
cascos quase tartaruga...
deixo minhas mãos vermelhas
rugosas de juventude
deixo rasgados meus desenhos
deixo a dúvida e a voz do outro lado da mudez.
deixo nada mais
pois a inexistência é o que me resta
deixo cores imperfeitas que não são eixos
e do divã esquecido levanto
e do vidro polido desvio
até parar do outro lado,
qualquer que seja...
[10 de fevereiro de 2006]