fazia cerca de um ano. não pensava, não sofria, não sonhava. havia quase esquecido - ao menos de uma certa forma - o amor de outrora. é longe, oras. impossível acontecer. coisa do "já se foi".
eu o amei. fui "obcecada". nunca houve um fim ou um esquecimento ou esperança concreta. nunca houve resposta definitiva. aceitação incondicional. houve espasmos. houve acasos. pequenas concessões. pequenos sorrisos. algumas noites. poucos dias.
ele voltou. não fisicamente, mas mais uma vez em momento de caos. meus olhos estavam tristes e o coração havia poucas semanas se apertava e apertava.
ele voltou. era ao que se agarrar.
hoje, durante a viagem corriqueira, o olhar pairava pelas paisagens de todo dia sem que a atenção se voltasse aos carros, aos galhos, ao verde que se fazia negro ou às luzes que luziam embaciadas pela neblina. num estalo acabou-se a letargia. "o que faço se ele se casar?"
meu coração doeu. acabaria-se o refúgio. acabaria-se a esperança pálida. mataria-se o amor ou o amor assassinaria a mim.