sábado, 5 de novembro de 2011

fiz planos. tantos e tantos. só pra descobrir que três anos se passaram tão inertes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

e das palavras que nunca soube
esculpi palmo a palmo a delicadeza da lágrima
a alma escorreu derradeira e inclemente
ficou vazia, por mais um curto espaço

eu que fui sal.
já o era destemperado.

eu que fui sal.
carecia de algum gosto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

- "pode bater. eu sempre aguentei".
- "mas que ideia, não?"


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

[arquivo]

duas frases ecoam tão vivamente em duas noites tão próximas. a primeira diz "você não é uma lembrança", a segunda "tenho mais coisas na vida em que pensar". há dois atos que se emparelham eloquentemente em duas noites, tempos atrás, o primeiro "que fazem envolver os braços sobre outros braços", o segundo "que deixa a mão solitária morrer sozinha sobre o colo alheio".

somos feitos de opostos. somos sentimentos tão avessos. somos impelidos a abismos de impulsos. somos ou nunca fomos um. nunca deixamos de sê-lo. mesmo antes do primeiro encontro. mesmo antes.

domingo, 20 de março de 2011

só ele é capaz de fazer isso comigo. ele e seu olho esquerdo mais baixo. só ele é capaz de me botar em vigília profunda. ele e sua boca pouco aberta e balbuciante. não o vejo há muitos anos. não o toco ou o cheiro. mas a força me alcança, assim como o perfume não perfume da pele branca.

vejo cada defeito - seriam tantos assim? hoje os percebo. mas minto se disser que faz diferença. não sei o que nos liga - ou o que me liga a ele, seria melhor dito. mas sei que essa conexão wi-fi de muitas léguas me diz quando está mais perto, mesmo que sejam poucos metros ou simples súplicas e promessas.

hoje vejo que talvez não possa amá-lo, que já tenha me conformado com a impossibilidade doentia imposta pelos anos. mas não pude, até então, furtar meu coração a ele, assim, esporadicamente. peguei-me sonhando com coisas já superadas. derramando um choro secreto no travesseiro por alguns segundos. aí esqueço, viro e durmo. é uma existência que não dói. uma drágea engolia a seco. drops de lembranças tão claras como o amarelo da sapatilha. um cacho de cabelo. a luz do quarto catalão. o cruzar de uma rua. é um passado que desejo. uma centelha a que me agarro. bons tempos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

olhe em volta. está 35 graus lá fora. há tantas janelas que você mal pode imaginar quantas, impossível contar. um senhor japonês de cerca de metro e meio acaba de quase ser atropelado por uma viatura da gcm.

ele passou despercebido, pouco depois, pelos dois outros senhores duas quadras à frente - que só ouviram o barulho da freada e não se dignaram a olhar em busca da origem.

entrei em casa, 17 andares acima. casa que não será mais minha em pouco tempo. tive a certeza de toda insignificância que cada morador dessas ruas paulistanas tem (são). nesse mundo fumacento, respeito é algo raro e a consideração e a honra, desconhecidas.