quarta-feira, 14 de julho de 2010

36. 27.

36.27. Já tenho dois números para apostar na loteria. Problema é que preciso de mais quatro. Ambos poderiam se somar, criar mais um ou dois, mas não o fazem. Poderiam subtratir o absurdo número "18 mil", mesmo que pareça impossível tal produto. Dessas 18 mil distâncias que os separam em multiplos de (mais) mil há dois anos quase completos e mais 365 multiplicado por 3, noves fora, sobrou apenas UM fim de semana num passado já distante. (Talvez única memória verdadeira.) Matemática complicada, é preciso que se diga, que, como das outras vezes, tem motivação coronária e nem sempre pode ser decifrada. Necessita manual, sei eu.

13.07. O dia do e-mail a ser enviado, como em todos os últimos anos (não sei quantos). Ontem, diferente dos demais 13.07, a amiga disse, não lembro com quais palavras: É preciso que acabe.

O coração murchou, não porque nele algo houvesse. Oito fluidos anos. Errei, há dois anos passados, a mesma divisão. Talvez erre novamente agora o quociente das inteiras paixões.

Doeu-me pensar em assassiná-lo, assim à distância, ou somente esquecê-lo, assim na ausência. A verdade é que dói perder a muleta que talvez tenha se tornado. Dói, qualquer que seja a escolha...

Apagarei os escritos, todos. Os e-mails tão escassos. As imagens roubadas de memórias alheias. O telefone lá de longe. Mas como ficam as memórias? Mesmo que já não as ouça, não as visite, não mais leia na mente que se empoeira o nada de lembranças com afinco cultivadas.

Saber que ele irá, a despeito de toda fantasia e ilusão sempre nutridas e nutridas, partir é ter os dedos frios além do ar. E a dor me assusta: "Vai doer", penso e penso. "Vai doer nunca mais escrever", é o que repito, porque é só nas letras que o possuo, bem pouco. Um pouco.

Ele foi enredo de história, bem escrita porque fictícia. Acabou a imaginação. Enfim. Acabou o aprisionamento de alguém que nunca tive. Acabou.