quarta-feira, 11 de novembro de 2009

[arquivo]
Era esta a hora, 23h21. Saía de casa apressada com um laço de fita pregado ao pescoço. Andou muitos quarteirões e pousou os pés porta adentro em uma espelunca em tons White Stripes, ela fita vermelha, ele humor negro.
Passadas as primeiras horas já era madrugada, conversou sobre o blaiser e o blasé. Tomou copos com álcool e sem. Encontrou amigos virtuais e que eram tão carne-osso como os osso-carne alí ao lado.
As companhias iam da morena com a bunda e o coração grandes aos irmãos separados em sêmens diferentes, camas, partos e cidades diferentes e tão iguais. Dissílabos os dois, engraçados os dois, bêbados e risonhos os dois.
Banda (?) no palco, duas guitarras e uma levada. Música eletrônica sampleada como base e um pulo nas pernas dançantes que se animavam com a noite e deixadas pela languidez do som se depositavam em cadeiras de plástico branco, dispostas sem ordem pelo ambiente. Música boa, mas não para aquela hora, propícia às horas mortas do dia, em que se quer cama e reflexão.
Quase meio de madrugada, esperanças perdidas nas conversas folgadas e agradáveis, nos novos amigos inconvencionais, na música que voltava à vitrolinha. Esperanças perdidas e cheias de um cheiro de não coincidência.
Ele pôs o pé na soleira, ela não viu. Ele levou a mão à boca e piscou quatro vezes os olhos em busca de alguém, direçoes multiplas. Ele virou o rosto na direção do laço de fitas e olhou, olhou, olhou e mergulhou em um torpor, quatro segundos.
Ela sorriu em adeus a alguém, ele não viu. Ela umideceu os lábios despretenciosamente e passou a mão pela testa. Ela deu de ombros a um cometário e ergueu o olhar em direção à porta e quatro segundos foram suficientes.
Horas depois e a história teria a primeira página escrita, frase a frase. Sem final definido e com espectativas de felicidade...
[22 de outubro de 2006]