quarta-feira, 11 de novembro de 2009

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Minhas mãos estão preguiçosas. Na verdade , todo o ano passou assim. Tive poucas ganas de sentar e deixar o pensamento correr. Agora é tarde. Os olhos pela manhã estavam cerrados, mesmo que tentasse abri-los não havia maneira. Passei a mão pelas pálpebras e lá estava a causa: dois riscos, um para cada olho.

Não pude chorar, gritar de horror pela negrura da manhã. Não pude. A escuridão era cadenciada e, até certo ponto, conveniente. Talvez fosse tudo o que eu havia procurado. A visão negra de horas tristes.

Sentei-me na beirada da cama, tateei o chão com os pés e encontrei os chinelos. Caminhei como se a cegueira houvesse me acompanhado há muitos anos. Acendi as luzes do banheiro como se a claridade fizesse diferença além da sensação de quentura.
[19 de novembro de 2007]