quinta-feira, 24 de setembro de 2009

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“Gastei uma grana filha-da-puta”, pensou em meio aos dedos que vasculhavam a carteira quase vazia. Deu de ombros e desceu do ônibus que começava a se encher com todos aqueles trabalhadores matinais. – “Como podem acordar a essa hora”? Ele que estava indo para a cama naquele momento. Bateu no bolso, sentiu o peso das chaves, as apanhou e testou umas três até achar a que realmente pudesse abrir a porta.

“Ces't moi... Ces't moi”... A loucura de minhas próprias criações. Deu de cara com as telas mal acabadas e deixadas de lado. Era um fracasso completo como pintor. “Mas o que faria se desistisse dessa vida”? Adorava os café e as prostitutas, e digamos, que essa profissão lhes dava um terno charme decadente.

Sempre que saía de casa pensava em um quadro de Van Gogh: Aquele café era como toda a essência de seu mundo. Condensava todo o apelo noturno na tela e desejava que os pardieiros que freqüentava se tornassem cheios de cores e vida e ócio.

Entrou em casa, a mesa que se via da porta ainda estava bagunçada: Tintas, óleo de linhaça, pincéis de vários diâmetros, pontas chatas e redondas, pedaços de comida velha e uma garrafa de água ardente pela metade. Abraçou-se à Ypioca querida e... "Love love me do... You know I love you..."

Deixou a garrafa sobre a mesa, estendeu-se na cama desarrumada.
[21 de fevereiro de 2005]