segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Meu coração é como um copo. Ele é clichê e completamente apto a estar "meio cheio ou meio vazio". O transbordamento ou a secura são determinados por gestos, fotos, palavras, pensamentos que desencadeiam tristezas, amores, arrebatamentos. Às vezes, um simples "alô".

De algumas pessoas gosto tanto, que quando nelas penso o corpo todo parece se encher como um copo que engole toda água ou cerveja. Meu corpo copo de cerveja recebe a felicidade desde os pés, mas é a partir da cintura que sinto o conteúdo mais espesso e borbulhante de gracejos internos.

Bastam algumas palavras escritas de longe, a esperança em reencontrar tanta bem-querência, que sinto na superfície superior dos braços um arrepio e no peito o limite transbordante.

Na tarde de hoje, dia de sol e dor nos pés, recebi meia dúzia de dizeres. Era amigo distante. O transbordamento foi tamanho que o limite da superfície, como em um copo que recebe a gota última e já tem convexa a linha d'água, rompeu. Pelos olhos, cada gota a mais de amor insistiu em se espalhar.