Ela esperava o namorado e estava exausta. Na casa: mãe que já era avó, pai que já era avô. O amor veio acompanhado de maus elementos. Eram cinco, esperavam uma oportunidade. Entraram todos e fizeram quase nenhum mal físico, quase todo o mal à alma. Saíram levando, corre o boato, mais de um milhão de cruzeiros - mas vá lá, como diz bobagem essa gente! Deixaram os corações mais tristes, o medo mais presente. Vieram pra lembrar como somos frágeis, mas nas bocas alheias só a repetição da história em seus detalhes, quase sempre, inventados.
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Sempre ouvi: "Como D. era bonita!". Quase a neta mais velha, filha do tio controverso. Nunca a conheci bem, lembro dela em uma visita, na cozinha da casa onde já não moro, os mosquitos que cobriam a antena do rádio. Poucas vezes, eu tão criança, pudemos trocar abraços e alguma doçura. Com os anos foi-se o cabelo enrolado, os olhos faiscantes, o viço, um certo amor. Ficaram os maços de cigarro, os telefonemas sofridos.
Na manhã de segunda, pela primeira vez foi dito: "Foi-se a nossa menina"- a voz triste, trêmula e logo: "Ela era tão linda". Um soluço, uma impossibilidade. A quase mais velha, mais linda, foi-se. Nem pude saber ao certo quem era nos parcos abraços. Como vivia, na distância próxima. Mas, nem por isso, o coração ficou cheio. Correu a lágrima como a tristeza numa enxurrada morna, lembrando, mais uma vez, que somos frágeis.